IHU (25/11/2009): O encanto dos Orixás: "A Umbanda é uma religião profundamente ecológica. Devolve ao ser humano o sentido da reverência face às energias cósmicas. Renuncia aos sacrifícios de animais para restringir-se somente às flores e à luz, realidades sutis e espirituais", escreve Leonardo Boff, teólogo. Segundo o Leonardo Boff, "um teólogo que não consegue ver Deus para além dos limites de sua religião ou igreja não é um bom teólogo. É antes um erudito de doutrinas. Perde a ocasião de se encontrar com Deus que se comunica por outros caminhos e que fala por diferentes mensageiros, seus verdadeiros anjos. Deus desborda de nossas cabeças e dogmas". Eis o artigo.
IHU (22/11/2009): A Reforma. 500 anos depois de Calvino. Entrevista especial Leonildo Silveira Campos: De acordo com o ponto de vista do filósofo e teólogo Leonildo Silveira Campos, “a Reforma não pode ser vista somente como uma guerra entre católicos e protestantes. Os vários movimentos reformadores também tiveram o ‘irmão reformado’ como inimigo”. Além disso, continua, é preciso aplicar a teoria da complexidade ao estudo das reformas, o que nos auxilia a compreender e localizar cada uma das tradições reformadas (luterana, zwingliana, calvinista, anglicana ou radical-anabatista) de tensões, conflitos e diferentes propostas de reforma. Analisando possíveis pontos de proximidade entre o calvinismo e o neopentecostalismo, em específico a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), Campos conclui que “a questão da prosperidade não justifica uma aproximação do calvinismo com a IURD. Esta é uma Igreja que conseguiu assimilar elementos da religiosidade popular católica, indígena e africana, mesclando com elementos da pós-modernidade e de sua vertente religiosa – a Nova Era”. As declarações fazem parte da entrevista a seguir, concedida, por e-mail, à IHU On-Line. Leonildo Silveira Campos é graduado em filosofia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Mogi das Cruzes, e em teologia pela Igreja Presbiteriana Independente do Brasil. Seu mestrado e doutorado foram realizados na Universidade Metodista de São Paulo - Umesp, com a tese Teatro, templo e mercado: uma análise da organização, rituais, marketing e eficácia comunicativa de um empreendimento neopentecostal - a Igreja Universal do Reino de Deus (Petrópolis: Vozes, 1997). Atualmente, é professor da Umesp e da Faculdade de Teologia da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil. Confira a entrevista.
IHU (22/11/2009): Vaticano cria o ‘iBreviary’: Em um passo a mais para anunciar o Evangelho através dos instrumentos que a tecnologia oferece, o Vaticano pôs em marcha o “iBreviary”, um aplicativo que coloca ao alcance de todos através do telefone iPhone o Breviário, livro que contém as razões eclesiásticas de todo o ano. A reportagem está publicada no Periodista Digital, 19-11-2009. A tradução é do Cepat. >>> Leia mais, clique aqui.
IHU (21/11/2009): Zen Budismo brasileiro: uma construção a partir de uma tradição milenar. Entrevista especial com Monja Kokai: Na sexta-feira, dia 20 de novembro, o Mestre Zen Japonês Moriyama Roshi (foto) esteve em São Leopoldo, em visita ao Zen Vale dos Sinos. Moriyama Roshi é considerado um dos maiores mestres vivos do Zen-Budismo japonês, tendo sido um dos grandes responsáveis por expandir a prática Zen, ainda na década de 60, nos Estados Unidos. A partir da década de 90, veio para São Paulo, congregando praticantes entre os numerosos imigrantes japoneses do pós-guerra. De 2000 a 2005, residiu em PortoAlegre e então voltou ao Japão. Nesta entrevista, Monja Kokai (Vânia Eckert, de batismo), à IHU On-Line, líder religiosa do centro de práticas Zen budistas Zen Vale do Sinos, comenta a importância dessa visita e aborda outros aspectos da prática Zen. Psicóloga há 23 anos e especialista em família e casal, Kokai foi ordenada monja em maio deste ano pela Monja Coen, de São Paulo, da qual é hoje discípula. Monja Kokai também participou do programa "Religiões do Mundo", organizado pelo IHU entre agosto e outubro deste ano, para fomentar o debate sobre a ética presente nas grandes tradições religiosas, especialmente o Budismo. Eis a entrevista.
Autor: Wolf-Dietrich Sahr e Marino Luís Michilin Godoy
Resumo: Este artigo apresenta uma abordagem teórico-metodológica dentro da Geografia da Religião que estabelece uma compreensão da espacialidade do fenômeno social espírita. Para tanto, consideram-se, aqui, três instâncias de análise principais, a entender: a espacialidade narrativa, a qual busca compreender as relações estabelecidas entre o plano terreno e o espiritual, numa concepção geográfica própria do Espiritismo, a espacialidade prática que evidencia as práticas e relações estabelecidas entre os espíritas e seu ambiente, caracterizando a geografia social do Espiritismo e dos espíritas, e sua espacialidade institucional, demonstrando as relações entre as atividades individuais e dos Centros Espíritas e os órgãos federativos do Espiritismo.
GPER Newsletter nº 223 - Ano 5 (17/11/2009): PROJETO DE LEI Nº 5598 - Lei Geral das Religiões: Dispõe sobre as Garantias e Direitos Fundamentais ao Livre Exercício daCrença e dos Cultos Religiosos, estabelecidos nos incisos VI, VII e VIII do artigo 5º, e no § 1º do artigo 210 da Constituição da República Federativa do Brasil. >>> Leia mais, clique aqui.
Zenit (15/11/2009): Papa navega pela Internet e manda e-mails: O Papa Bento XVI navega pela Internet e utiliza o correio eletrônico, segundo confirmou neste sábado o presidente do Conselho Pontifício de Comunicações Sociais do Vaticano, Dom Claudio Maria Celli, em declarações à rede de TV 'Italia 1'. "O Papa também manda seus e-mails pessoais. Obviamente que o faz! Ele aprecia muito as novas tecnologias. Não tem um correio dedicado, mas todos os e-mails chegam a ele e saem do Vaticano", explicou o prelado. A reportagem é de José Manuel Vidal, publicada no sítio Religión Digital, 14-11-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto. >>> Leia mais, clique aqui.
A liberdade religiosa no mundo: ROMA, domingo, 15 de novembro de 2009 (ZENIT.org).- Ignorado pela mídia, o Departamento de Estado dos EUA divulgou, no dia 26 de outubro, seu último Relatório Anual sobre a liberdade religiosa internacional, que traz levantamentos em 198 países e territórios. Antes de detalhar sobre cada país, a introdução do relatório explica que o governo dos Estados Unidos considera importante defender a liberdade religiosa. "A liberdade religiosa é um direito de todas as pessoas, independentemente de que elas tenham ou não fé", afirma. A introdução também assinala o conceito de bem comum. "Em suma, a liberdade tende a canalizar as paixões e convicções de fé em atos de serviço e empenho positivo na praça pública", afirma o texto.Através de uma perspectiva mais política, o Departamento de Estado afirma que, quando os grupos religiosos e as ideias são reprimidos, tendem a se radicalizar e isso pode fomentar o individualismo ou insurreição. No âmbito internacional, o relatório argumenta que, se os governos manipularem a religião ou marginalizarem os grupos, só ajudariam os grupos radicais que, por sua vez, são uma ameaça à segurança global. "Ambientes que visam à liberdade religiosa sólida, por outro lado, promovem a harmonia comunitária e encorajam as vozes da moderação para que refutem os extremistas por motivos religiosos," conclui a introdução. >>> Leia mais, clique aqui.
IHU (13/11/2009): ''O divórcio entre fé e cultura leva ao confronto sobre os símbolos'': "A batalha pelo crucifixo é a demonstração de que a secularização não apagou a religião, mas, separando-a do seu contexto cultural, faz com que ela apareça em termos puramente religiosos". Olivier Roy é um dos maiores especialistas mundiais em Islã, foi diretor de pesquisa da École des hautes étudesen sciences sociales de Paris, lecionou até o ano passado na Universidade de Berkeley e atualmente é professor do Instituto Europeu de Fiesole. No seu último livro, "Santa Ignoranza" (Ed. Feltrinelli), Roy amplia os seus estudos ao "mercado global do religioso", analisando o divórcio entre religião e cultura que se consumou nos últimos dois séculos e que produz hoje, entre outras coisas, um retrocesso identitário de todas as confissões. "O crucifixo para a Igreja católica é como o véu para o Islã. São aqueles que eu chamo de 'marcadores religiosos': marcando um modo visível de pertença confessional. Porém, esses símbolos nos parecem incôngruos, estranhos ao mundo que nos circunda". A reportagem é do jornal La Repubblica, 11-11-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto. Eis a entrevista. >>> Leia mais, clique aqui.
IHU (13/11/2009): A Igreja católica quer ‘’sair dos seus guetos” com a Internet: passo em falso do seu pontificado à uma utilização insuficiente da Internet. “Foi-me dito que acompanhar atentamente as informações que se podem obter na Internet teriam permitido um rápido conhecimento do problema”, escreveu, em março de 2009, aos bispos numa alusão à revogação da excomunhão ao bispo Williamson, integrista e que nega o Holocausto. A reportagem é de Stéphanie Le Bars e publicada pelo jornal Le Monde, 13-11-2009. >>> Leia mais, clique aqui.
FSP online (12/11/2009):Criacionismo prospera no mundo islâmico, mas sem crença de Terra recente: O criacionismo está crescendo no mundo muçulmano, da Turquia ao Paquistão, passando pela Indonésia, afirmaram acadêmicos internacionais, no mês passado, em um encontro para discutir o assunto. No entanto, eles disseram, criacionistas que creem que Deus criou o Universo, a Terra e a vida há apenas alguns milhares de anos são raros (se é que existem). Uma razão é que, embora o Corão, texto sagrado do islã, diga que o universo foi criado em seis dias, a frase seguinte acrescente que um dia, nesse contexto, é uma metáfora: "mil anos da sua contagem". Em contraste, alguns criacionistas cristãos descobrem na Bíblia uma cronologia exata que faz com que a Terra tenha 6 mil anos e, portanto, se opõe não apenas à evolução, mas também a grande parte da geologia e cosmologia moderna, que afirma que a Terra e o Universo têm bilhões de anos. "As visões da evolução científica são claramente influenciadas por crenças religiosas implícitas", disse Salman Hameed, que organizou a conferência realizada em dois dias no Hampshire College, onde ele é professor de ciências integradas e humanidades. "Não existe criacionismo que acredita que a Terra é jovem". >>> Leia mais, clique aqui.
Zenit (11/11/2009):Argentina: criada Organização Judaica para Diálogo Interconfessional: Um grupo de especialistas em diálogo inter-religioso decidiu constituir a Organização Judaica para o Diálogo Interconfessional (OJDI) na Argentina. Este novo projeto institucional – informa a Zenit seu presidente, Mario Burman – “estabelecerá contato com pessoas, agrupações de diálogo inter-religioso e, fundamentalmente, com os setores mais amplos da sociedade”. Da mesma forma, “difundirá as bases que caracterizam o judaísmo: sua história, religião, cultura, sistemas educativos, tradições e ritos”. Promoverá também “um melhor conhecimento entre as diversas comunidades de fé e seus integrantes, de forma individual ou coletiva, destacando os traços positivos que as unem, especialmente entre as diversas comunidades religiosas pertencentes à tradição monoteísta”. A organização promoverá e realizará – de forma individual e/ou em colaboração com outras entidades afins – todo tipo de atividades que tendam à concreção dos objetivos propostos. >>> Leia mais, clique aqui.
Um Deus para cada contexto. Entrevista especial com Julius Lipner: Recentemente a revista IHU On-Line publicou uma edição intitulada Sabedoria, mística e tradição: religîões chinesas, indianas e africanas,com várias entrevistas refletindo sobre o hinduísmo. Hoje publicamos uma entrevista com Julius Lipner, professor de Hinduísmo da University of Cambridge. Na entrevista a seguir, concedida por e-mail, ele explica as manifestações de Deus na cultura hinduísta e diz que, diferente das tradições monoteístas, o divino se apresenta de diversas maneiras e possui formas e nomes distintos para que possa relacionar-se com diferentes seres humanos. “Cada um de nós é diferente e achará mais fácil se relacionar com Deus de acordo com nossos contextos e circunstâncias”. Segundo ele, deuses e deusas hindus não são competitivos e dispõem igualmente de poder e misericórdia, além de estarem interessados no bem-estar da humanidade. O pesquisador também falou à IHU On-Line sobre o projeto de ética mundial proposto pelo teólogo alemão Hans Küng. Embora concorde com as ideias expostas, ele enfatiza que é preciso “analisar cuidadosamente circunstâncias individuais para implementar estes princípios corretamente. Cada tradição do mundo poderia muito bem dar diferentes ênfases ao aplicar estes princípios”. A entrevista foi concedida em inglês e traduzida por Lucas Schlupp. Lipner também é professor em Oxford, onde ministra aulas sobre Hinduísmo e pensamento indiano. É membro do Conselho Acadêmico do Centro de Estudos Hindus da mesma universidade. Confira a entrevista.
Afastar preconceitos com relação aos evangélicos não se confunde com tolerar ilicitudes que seus líderes venham a cometer
UM MILHÃO de pessoas, segundo estimativa da Polícia Militar, esteve presente na Marcha para Jesus, durante a última segunda-feira, em São Paulo. Organizado por igrejas evangélicas, o evento reitera a importância adquirida por diversas denominações religiosas que, há algumas décadas apenas, mostravam-se numericamente inexpressivas diante do predomínio da fé católica no Brasil.
O censo de 1970 registrava pouco mais de 5% de protestantes, e quase 92% de católicos, na população. Números coligidos pelo Datafolha, em pesquisas realizadas entre 2006 e 2007, mostram uma redução acentuada no número de católicos (64%), contra 22% de evangélicos.
Nas grandes cidades brasileiras, cai a 56% a porcentagem dos católicos.
Como todo agrupamento em busca de afirmação identitária e influência no cenário público, as igrejas evangélicas não apenas promovem uma demonstração de sua capacidade mobilizatória, mas também enfatizam a necessidade de se dissolver o preconceito que ainda possam despertar em alguns setores de opinião.
De todo modo, a tradição de convivência religiosa está suficientemente arraigada no Brasil para afastar-se a ameaça, no tocante aos evangélicos, de que se tornem vítimas ou agentes de qualquer tipo de intolerância.
Tanto quanto a liberdade religiosa, é essencial no mundo moderno a separação entre a esfera das convicções de fé e o ordenamento político e jurídico da sociedade. Tolerância religiosa não se confunde com tolerância à ilegalidade, e a mobilização de fiéis não equivale ao julgamento dos tribunais.
Foi no rumo deste terreno movediço que, por momentos, encaminhou-se a manifestação de segunda-feira. Condenados e presos pela Justiça americana, os fundadores da Igreja Renascer não foram vítimas de perseguição religiosa, mas sim flagrados pela alfândega de Miami com US$ 56 mil dólares escondidos em malas, num porta-CDs e numa Bíblia.
Qualquer que seja a disposição dos participantes do evento em relação aos líderes da Renascer, uma celebração religiosa não é o palco para a manipulação plebiscitária por parte de personalidades que dominam, ao mesmo tempo, as linguagens da persuasão política e da mobilização confessional - como é o caso do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), que no evento assumiu a defesa do casal condenado.
Seus argumentos, de resto, puderam ser avaliados pelo leitor, em artigo publicado ontem por este jornal. O espaço para o debate de pontos de vista, que a Folha se compromete desde sempre a manter, em tudo difere do das manifestações maciças de fé. Confundi-los é abrir caminho, não para a afirmação religiosa, mas sim para a negação da lei.
Veto a crucifixos em colégios da Itália repercute na Alemanha: As críticas não param, mesmo dias após a decisão do Tribunal Europeu de Direitos Humanos proibindo crucifixos nas salas de aula escolas públicas italianas. O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, afirmou que o veredicto é um motivo para se "duvidar da sanidade mental da Europa". >>> Leia mais, clique aqui.
Revista IHU – edição 313 (03/11/2009): Filosofia, mística e espiritualidade. Simone Weil, cem anos: Filosofia, mística e espiritualidade. Simone Weil, cem anos é o tema de capa da edição 313 da IHU On-Line, de 03-11-2009. Contribuem para a discussão Bartomeu Estelrich, Emmanuel Gabellieri, Giulia Paola di Nicola, Attilio Danese, Maria Clara Bingemer, Fernando Rey Puente e Miguel Ângelo Guimarães Juliano.
Quem são os demônios da Igreja Universal? Entrevista especial com Ronaldo de Almeida: A IHU On-Line entrevista hoje o professor Ronaldo de Almeida, que acaba de lançar o livro A Igreja Universal e seus demônios (São Paulo: Terceiro Nome/FAPESP, 2009). Ele nos conta, a partir da análise que faz na obra, sobre as mudanças que a Igreja Universal do Reino de Deus introduziu no campo religioso, político e social e fala, também, sobre os símbolos e rituais desta religião em torno da figura do diabo. “Na verdade, o diabo causa problemas cotidianos que enfrentamos. De um lado, ele representa esses males, e, de outro, se tem uma performance ritual desses males. A referência sai das religiões afro-brasileiras ou espírita kardecista”, descreveu. A entrevista foi realizada por telefone. O sociólogo Ronaldo Rômulo Machado de Almeida é mestre em Antropologia Social pela Universidade Estadual de Campinas e doutor em Ciência Social pela USP. A École des Hautes Études en Sciences Sociales lhe concedeu o título de pós-doutor. Atualmente, é professor da Unicamp e pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento - Cebrap. Confira a entrevista.
CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 29 de outubro de 2009 (ZENIT.org).- Bento XVI esclareceu hoje o grande mal-entendido que se dá nos ambientes eclesiais que concebem os meios de comunicação como simples “meios”, esquecendo que atualmente eles configuram a cultura.
Por este motivo, convidou a integrar o Evangelho nesta nova cultura “criada pela comunicação moderna”, para poder transformar o “continente digital” com “a única Palavra que pode salvar o homem”.
Esta foi a conclusão à qual chegou ao receber em audiência os participantes da assembleia plenária do Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais, a quem dirigiu um discurso no qual refletiu sobre um trecho do magistério de João Paulo II, considerado pelos especialistas como um dos cumes da reflexão cristã sobre a comunicação.
Esta proposta foi apresentada pelo Papa Karol Wojtyla na encíclica Redemptoris missio (7 de dezembro de 1990), na qual afirmava que “o uso dos mass-média não tem somente a finalidade de multiplicar o anúncio do Evangelho: trata-se de um fato muito mais profundo porque a própria evangelização da cultura moderna depende, em grande parte, da sua influência” (n. 37).
E acrescentava: “Não é suficiente, portanto, usá-los para difundir a mensagem cristã e o Magistério da Igreja, mas é necessário integrar a mensagem nesta ‘nova cultura’ criada pelas modernas comunicações”.
Segundo esclareceu Bento XVI, “a cultura moderna surge, antes ainda que dos conteúdos, do próprio fato de que existem novas formas de comunicar, com novas linguagens, novas técnicas, novos comportamentos psicológicos”.
“Tudo isso constitui um desafio para a Igreja – segundo o Papa –, chamada a anunciar o Evangelho aos homens do terceiro milênio, mantendo inalterado o conteúdo, mas tornando-o compreensível graças também a instrumentos e meios em harmonia com a mentalidade e as culturas de hoje.”
Por este motivo, o pontífice fez um convite a quem, na Igreja, trabalha no âmbito da comunicação e tem responsabilidades de guia pastoral a “acolher os desafios apresentados à evangelização por estas novas tecnologias”.
O arcebispo Claudio Maria Celli, presidente do Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais, após a audiência, confirmou para Zenit a importância desta reflexão ulterior de Bento XVI sobre o panorama aberto por João Paulo II, pois constitui o novo contexto no qual a Igreja está chamada a evangelizar.
Este é o motivo, como confessou o próprio Papa na audiência, que o levou a dedicar a Mensagem por ocasião do Dia Mundial das Comunicações Sociais deste ano ao tema “Novas tecnologias, novas relações. Promover uma cultura de respeito, de diálogo, de amizade”.
Este documento, acrescentou, pretendia estimular “os representantes dos processos comunicativos, em todos os níveis, para que promovam uma cultura do respeito pela dignidade e pelo valor da pessoa, um diálogo arraigado na busca sincera da verdade, da amizade que não é fim em si mesma, mas capaz de desenvolver os dons de cada um para colocá-los ao serviço da comunidade humana”.
Neste contexto, o pontífice considera que a Igreja está chamada a exercer uma “diaconia da cultura”, no atual continente digital, “percorrendo seus caminhos para anunciar o Evangelho, única Palavra que pode salvar o homem”.
Bento XVI confiou ao Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais a tarefa de “aprofundar em cada elemento da nova cultura dos meios de comunicação, começando pelos seus aspectos éticos, e exercer um serviço de orientação e guia para ajudar as igrejas particulares a compreenderem a importância da comunicação, que representa atualmente um ponto firme e irrenunciável de todo plano pastoral”.
De fato, concluiu, os crentes precisam de uma avaliação das novas tecnologias mediáticas “apoiada sempre em uma constante visão de fé, sabendo que, muito além dos meios que são utilizados, a eficácia do anúncio do Evangelho depende, em primeiro lugar, da ação do Espírito Santo, que guia a Igreja e o caminho da humanidade”.
O objetivo é que o usuário possa acessar os vídeos de sua preferência e os vídeos mais curtos, de 4 a 10 minutos, com maior rapidez.
A cada semana serão divulgados cinco novos vídeos, permanecendo o acesso aos já publicados. No site Clube de Arteo usuário também encontra a relação e os links de todos os vídeos publicados no Youtube.
IHU (17/10/2009):Quando ter uma religião já não é mais obrigatório. Entrevista especial com Denise dos Santos Rodrigues: Com a tese Os "sem-religião" e a crise do pertencimento institucional no Brasil: o caso fluminense, Denise dos Santos Rodrigues dissecou, como nos disse, um grupo classificado como “sem-religião” e, então, descobriu que, dentro dessa “categoria”, há pessoas com diferentes crenças, fé e representações de Deus, e outras que simplesmente não têm qualquer vínculo com religiões. “Encontrei uma série de pessoas que eram desconvertidas, que tinham tido alguma religião, mas romperam com ela, algumas foram se desligando por falta de tempo, outras não tiveram formação religiosa. Há ainda os buscadores, pessoas que ficam transitando entre um grupo e outro, o reflexo de um comportamento da nossa época. E, classifiquei também os autênticos, pessoas que reivindicam uma forma particular de relação com o divino, elas dizem que tem sua própria religião”, contou ela durante a entrevista que concedeu à IHU On-Line por telefone. Graduada em Comunicação Social pela Universidade Gama Filho, Denise dos Santos Rodrigues é mestre em Ciência Política pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro e doutora em Ciências Sociais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Atualmente, é professora ligada à prefeitura do Rio de Janeiro. >>> Leia mais, clique aqui.
Sinopse: Junto à capacidade de produzir e transmitir cultura, a experiência religiosa é a marca mais distintiva da humanidade. E isso desde os primórdios. Registros de dezenas de milhares de anos já retratavam a fé em deuses e cultos. Esta obra dedica-se a algumas das mais interessantes e marcantes religiões que deixaram de existir ou quase desapareceram. São pequenas pérolas, escritas por especialistas, que convidam o leitor a viagens mais profundas pelos domínios de deuses tão diversos como An, Ra, Zeus, Thor e Huitzilopochtli. Cada capítulo apresenta um panorama da época em que a religião era praticada e o seu papel na sociedade. Isso, claro, recheado com os principais ritos e crenças, sempre em linguagem clara e direta. Aceito o convite, o leitor encontrará parte da sua própria história, mas também se deparará com facetas desconhecidas de seus próprios sentimentos e emoções.
Roseli Fischmann: "Escola pública não é lugar de religião": Foi aprovado pelo Senado brasileiro na última quarta-feira, 7 de outubro, o acordo firmado pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva e a Santa Sé, em novembro do ano passado, que estabelece a obrigatoriedade do oferecimento de ensino religioso pelas escolas públicas brasileiras. Diz o parágrafo 1 do Artigo 11: "O ensino religioso, católico e de outras confissões religiosas, de matrícula facultativa, constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil, em conformidade com a Constituição e as outras leis vigentes, sem qualquer forma de discriminação." "Se essa lei for sancionada pelo presidente, nossa constituição será violada", afirma a professora Roseli Fischmann, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Metodista, de São Bernardo do Campo, na região metropolitana da capital paulista. Perita da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) para a Coalizão de Cidades contra o Racismo e a Discriminação, responsável pelo capítulo sobre pluralidade cultural dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), coordenadora do grupo de pesquisa Discriminação, Preconceito e Estigma, vinculado à USP, e do Núcleo de Educação em Direitos Humanos, da Universidade Metodista e autora do livro Ensino Religioso em Escolas Públicas: Impactos sobre o Estado Laico, Roseli critica o acordo e fala, nesta entrevista a NOVA ESCOLA GESTÃO ESCOLAR, sobre as diversas e sempre irregulares maneiras de manifestação religiosa no cotidiano escolar. >>> Leia mais, clique aqui e aqui.
Psicanálise, religião e ciência: desafios da sociedade contemporânea. Entrevista especial com Benilton Bezerra Júnior: Um dia depois de proferir a conferência “Narrativas de Deus, e a transcendência hoje: uma abordagem a partir da psicanálise”, no último dia 15 de setembro, na Unisinos, durante o X Simpósio Internacional IHU: Narrar Deus numa sociedade pós-metafísica. Possibilidades e impossibilidades, o professor da UERJ, Benilton Bezerra Junior conversou por telefone com a IHU On-Line sobre o tema de sua fala e sobre os desafios da sociedade atual impostos à psicanálise. Na visão de Benilton, “a psicanálise hoje tem um grande desafio que é o de estabelecer um patamar de diálogo, de confronto e de estímulo recíproco com as neurociências e as práticas baseadas no cognitivismo, que são as duas forças emergentes no campo da atenção ao sofrimento”. Sobre a relação entre religião/fé e psicanálise/ciência, o professor esclarece que “não há uma espécie de competição por uma hegemonia ou por uma hierarquia entre discursos sobre a fé e discursos sobre as ciências. São maneiras diferentes de abordar a vida e o mundo. Sobretudo em uma coisa: a ciência, por mais que descreva em minúcias a realidade, não oferece nenhum tipo de prescrição sobre como viver a vida. E outros discursos, como o religioso, ou discurso da ética, ou o discurso estético são discursos que proveem esse tipo de coisa, que é absolutamente fundamental para que a vida individual e coletiva exista” BeniltonBezerra Junior é graduado em Direito e em Medicina, mestre em Medicina Social e doutor em Saúde Coletiva, pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Atualmente, é membro do Instituto Franco Basaglia e atua como docente adjunto do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, e pesquisador do PEPAS (Programa de Estudos e Pesquisas sobre Ação e Sujeito) da UERJ. Ele é autor do artigo "Retraimento da autonomia e patologia da ação: a distimia como sintoma social", publicado no livro Inácio Neutzling (org.), O Futuro da Autonomia: Uma Sociedade de Indivíduos?, São Leopoldo - Rio de Janeiro: Editora Unisinos - Editora PUC-Rio, 2009. Confira a entrevista.
Santo desacordo: Adeptos de todas as fés (e um filósofo agnóstico) dialogam sobre acordo Brasil-Vaticano aprovado semana passada pelo Senado. A reportagem é de Luciana Calaza e publicada pelo jornal O Globo, página 14, em 11-10-2009. >>> Leia mais, clique aqui.
Muçulmanos passam de 1,5 bi e são quase 25% da população mundial: Um relatório do instituto americano Pew Forum on Religion & Public Life divulgado nesta quinta-feira aponta que 22,9% --quase um quarto da população mundial de 6,8 bilhões-- são muçulmanos. Com dados de 232 países, o instituto mapeou por três anos o mundo muçulmano, e mostra que eles são a maioria na Ásia e que, ao contrário do que os EUA e a Europa temem com a imigração, ainda representam uma porcentagem pequena nestas regiões. "Mapping the Global Muslim Population" ("Mapeando a População Muçulmana Global", em tradução livre), descrito como estudo único na área, aponta que há um total de 1.571.198.000 muçulmanos em todo o mundo. Comparativamente, segundo projeções de 2005 do World Religions Database, há cerca de 2,25 bilhões de cristãos no mundo.
Doutora em Antropologia Social (USP), Professora do Departamento de Sociologia e Filosofia da Fundação Universidade Federal de Rondônia.
Este artigo interpreta parcialmente os símbolos que compõem o imaginário do "Cruzeiro", "Livro Sagrado" da religião daimista. O Santo Daime é um culto essencialmente musical. Um de seus ritos denomina-se "bailado" porque nele os adeptos (fardados) bailam em formação quadrilátera organizada por gênero, entoando hinos cujos compassos são marcados pelo toque dos maracás. Esses instrumentos cumprem, ainda, a função de "arma espiritual".
O hinário "O Cruzeiro", de Raimundo Irineu Serra, começou a ser "recebido" do "astral" (região "divinal") quando ele principiava, desde 1912, sua iniciação com o uso ritual de ayahuasca, conduzida por ayahuasqueros mais experientes, a partir das trocas culturais estabelecidas entre índios e seringueiros nas selvas acreanas. Mudando-se para Rio Branco, em 1930, Irineu organizou uma comunidade agrícola e deu continuidade ao seu trabalho com a ayahuasca. Ao longo do processo de constituição de sua pessoa como líder religioso e "curador" seu hinário foi sendo recebido (até próximo de sua morte, em 1971), assinalando o seu percurso e constituindo o modelo para os que o acompanhavam e para os que viriam depois. Deste modo, todos os hinários da religião daimista têm por referência o "Cruzeiro". >>> Leia mais, clique aqui.
Diane Kuperman: Sobre o evento amanhã (3ª-eira, 06 de outubro de 2009 na ARI): a primeira visita do novo Arcebispo do Rio de Janeiro numa sinagoga; as presenças inéditas de um muçulmano e de um babalao. Monges Beneditinos cantando em latim salmos que nossos chazanim (cantores litúrgicos da sinagoga) irão cantar em hebraico... Tudo isto no marco da festa judaica milenar de Sucot, que na sua origem, recomendava o sacrifício de 70 animais representando as 70 nações conhecidas na época, mostrando desde então preocupação com o diálogo e a paz.
A cerimônia será realizada na Sinagoga da Associação Religiosa Israelita-ARI, amanhã, terça-feira 6 de outubro, às 18h à Rua General Severiano, 170, Botafogo, com a presença do novo Arcebispo do Rio de Janeiro, D. Orani Tempesta, do Sheik Salah El Din Mohamed, do Babalao Ivanir dos Santos, dos Rabinos Sergio Margulies e Dario Biáler e de representantes de diversos credos que participarão de celebração inter-religiosa, reafirmando sua crença no Diálogo e na possibilidade das diversas fés se unirem em prol do conhecimento mútuo e do entendimento.
Também inédita é a participação de Monges Beneditinos que, juntamente com os cantores litúrgicos da ARI - André Nudelman e Oren Boljover - irão cantar salmos.
A celebração marca a abertura do Seminário EducAção que promoverá a troca de experiências de colégios de diversos credos empenhados em educar as novas gerações de forma a constituir uma sociedade sem ódios nem preconceitos.O seminário propriamente dito será realizado no Colégio Santo Inácio, parceiro da primeira hora do Diálogo Inter-Religioso, reunindo colégios judaicos e católicos que já vêm desenvolvendo há alguns anos atividades conjuntas.
Em anexo, o programa completo do encontro que é aberto a todos, sendo uma oportunidade ímpar, principalmente para aqueles que têm curiosidade de conhecer uma sinagoga, de participar de um serviço inter-religioso e reiterar o seu anseio por Paz.
Seminário do Diálogo Inter-religioso
EducAÇÃO
Programação
06 de outubro – Terça-feira
Local: ARI (Associação Religiosa Israelita) - Rua General Severiano, 170 – Botafogo, Rio de Janeiro, RJ
18h – Acolhida
Evelyn Milztajn – Presidente da ARI / Pe. Jesus Hortal, S.J. – Reitor da PUC – Rio / Léa Lozinski – Presidente da FIERJ / Arnaldo Niskier – Membro da Academia Brasileira de Letras: “Diálogo – Ferramenta da EducAção”
18h 40m – Celebração Inter-religiosa:
D. Orani João Tempesta, Arcebispo do Rio de Janeiro
Rev. Joaquim da Paula Rosa, Pastor da Ordem do Ministros Evangélicos
Sheik Salah Al-Din Ahmad Mohammad
Irmã Maria Cecília, da Ordem de N. Sra. De Sion
Babalao Ivanir dos Santos
Pastor Marcos Amaral, Igreja Batista
Padre Marcelo Torres, Igreja Ortodoxa
Rabinos da Associação Religiosa Israelita - Sérgio Margulies e Dario Bialer
Cantores litúrgicos da ARI, André Nudelman e Oren Boljover
Cantores do Mosteiro São Bento, Irmãos Guilherme Silva Souza, Bento de Aviz e Pio de Pietrelcina da Silva Valentim.
20h – Confraternização na Sucá
07 de outubro – Quarta-feira
Local: Auditório do Colégio Santo Inácio - Rua São Clemente, 226 – Botafogo, Rio de Janeiro, RJ
13h45 às 15h – Políticas de implementação do Diálogo
Rafael Ferrari – MEC – Plano de Mobilização Social pela Educação
Sérgio Maia – Comitê Rio do Plano de Mobilização Social pela Educação
Vereador Reimont Luiz Otoni Santa Bárbara – Presidente da Comissão de Educação da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro
Dom Edney Mattoso – Bispo Auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro
Pastor Francisco Nery – Membro da OMEBE (Ordem dos Ministros Evangélicos no Brasil e no Exterior)
Valéria Gomes Lopes
Michel Gherman – Hillel, experiência internacional de Coexistência
José Amansio de Souza – Educação nos Presídios, experiência dialogal sui generis.
15h – Experiências de trabalhos sociais
Colégio Santo Agostinho - CSA SEM FRONTEIRAS, adotando comunidades na Ilha de Marajó
Colégio A. Liessin Scholem Aleichem
Colégio Sagrado Coração de Maria - "Missão Jovem SCM" - Intercâmbio Solidário e seus desdobramentos
Colégio Santos Anjos
16h30 - Intervalo
17h – Experiências de diálogo inter-religioso
Site AMAI-VOS - Uma experiência virtual e real de diálogo – Tony Piccolo
Colégio Eliezer Max - O Legado da Marcha pela Vida—uma experiência de compromisso dos jovens com a TOLERÂNCIA, o DIÁLOGO e o RESPEITO à DIGNIDADE HUMANA.
Colégio Teresiano – Práticas de Diálogo Inter-religioso
Colégio Salesiano - Coexistência Religiosa - Visita aos Templos - uma experiência de Transcendência.
Colégio Liessin/ Colégio Santo Inácio – Vizinhos de Portas Abertas
Adote uma Escola – Parcerias com a Secretaria Municipal de Educação
18h30 – Reflexão em grupos para elaboração de propostas de Ações
O Papa e os amigos judeus. Tão próximos, tão distantes: Bento XVI visitará proximamente a sinagoga de Roma. Mas quanto mais avança o diálogo entre os dois credos, mais se reconhecem distantes. Uma prova: o Kippur. Para os judeus é a festa mais importante do ano, para os cristãos se identifica com Jesus. Duas análises opostas em debate: a de um rabino e a de um teólogo católico. A reportagem é de Sandro Magister e está publicada no sítio italiano Chiesa, 25-09-2009. A tradução é do Cepat. Às vésperas do Ano Novo judaico, que este ano se celebra no dia 19 de setembro, Bento XVI enviou ao rabino-chefe de Roma, Riccardo Di Segni, um telegrama de felicitações e de amizade. Nele confirmou que irá visitar em breve a sinagoga de Roma, “animado pelo vivo desejo de manifestar minha pessoal proximidade e a de toda a Igreja católica” à comunidade judaica. Esta será a terceira sinagoga que Bento XVI irá visitar, depois da de Colônia em agosto de 2005 e a de Park East em Nova York em abril de 2008. Antes dele, João Paulo II havia visitado a sinagoga de Roma em 13 de abril de 1986. Por estes dias se deu também um renovado gesto de amizade entre os judeus e a Igreja católica italiana. Em 22 de setembro, o cardeal Angelo Bagnasco, presidente da Conferência Episcopal, se reuniu com os rabinos Di Segni e Giuseppe Laras, este último presidente da Assembleia Rabínica da Itália. E juntos decidiram retomar a celebração comum do Dia de Reflexão Judeu-cristão de 17 de janeiro, do qual os judeus se recusaram a participar da última vez, por causa das incompreensões decorrentes do caso Williamson. O tema do próximo Dia de Reflexão comum será o quarto mandamento na numeração judaica: “Lembre-se do Sábado para santificá-lo”. O Ano Novo, Rosh Ha Shanah, abre o ciclo das festas judaicas de outono. É seguido pelo Yom Kippur e a festa de Sukkot. O Yom Kippur, o Dia da Expiação, é a festa mais importante de todo o ano litúrgico judaico. Este ano cai no dia 28 de setembro, terceiro e último dia da visita que Bento XVI começou à República Checa. Na opinião do rabino Di Segni, a festa do Kippur não apenas expressa o coração da fé judaica, mas também reflete as “diferenças inconciliáveis” entre esta e a fé cristã. Os símbolos do Kippur, de fato – o Sumo Sacerdote, o Templo, o Sacrifício, o bode expiatório, a eliminação das culpas – assumiram no cristianismo um significado inteiramente novo. Di Segni explicou o significado judaico da festa e sua inconciliabilidade com a fé cristã em um artigo publicado no ano passado na primeira página do L’Osservatore Romano, por ocasião da festa anterior do Kippur. Mas, na sequência, o L’Osservatore Romano dedicou um espaço também ao outro lado da questão. Ou seja, a como o Novo Testamento revoluciona os símbolos do Kippur. O texto neotestamentário chave é a Carta aos Hebreus. Nela, o novo e definitivo Dia da Expiação é o sacrifício do Cristo na cruz. O autor da análise publicada pelo L’Osservatore Romano é um sacerdote e biblista africano, ChristopherRobert Abeynaike, monge cisterciense, que desenvolveu sua tese de doutorado em Sagradas Escrituras sobre o mesmo tema, no Pontifício Instituto Bíblico, em 2008. Sua análise é muito douta, mas também de rara clareza. E evidencia o vínculo essencial que a Carta aos Hebreus estabelece entre o sacrifício de Cristo, a última ceia e a liturgia eucarística. >>> Leia mais, clique aqui.
Sabedoria, mística e tradição: religiões chinesas, indianas e africanas:Sabedoria, mística e tradição: religiões chinesas, indianas e africanas é o tema de capa da edição 309 da IHU On-Line, de 28-09-2009. Contribuem para a discussão Klaus Klostermaier, Subhash Anand, Volney José Berkenbrock, José Bizerril, André Bueno, Frank Usarski, Michael Amaladoss e Monja Coen.
Igrejas neopentecostais nascem com a midiatização: Igrejas históricas mostram dificuldade em atualizar seus fundamentos teológicos e pastorais às novas práticas midiáticas, ao contrário das igrejas neopentecostais, que surgiram durante o fenômeno da midiatização, com mais competência, portanto, para lidar com as complexas relações entre mídia e religião. A constatação foi apresentada pelo jornalista Micael Vier Behs no encontro do Fórum Luterano de Comunicação (FLC), evento que reuniu no sábado, 26, nas dependências do Colégio Concórdia, em São Leopoldo, profissionais e agentes que professam ou estão vinculados às assessorias de imprensa das duas igrejas dessa família confessional que atuam no Brasil. A notícia é da Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação - ALC -, 01-20-2009.
TV Globo e Canal Futura lançam a série "Sagrado" na sede da ABI: Na próxima quinta-feira (01/10), a TV Globo e o Canal Futura anunciaram a série de programas "Sagrado". O lançamento será durante o Seminário Nacional sobre Proteção à Liberdade Religiosa, na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro, às 11h30. "Sagrado" é uma coprodução da TV Globo e do Canal Futura, que vai mostrar, a partir de temas atuais, a visão e a interpretação das principais religiões sobre assuntos como violência urbana, liberdade de expressão, meio ambiente, novas famílias, entre outros.
Seppir promove Seminário Nacional sobre Proteção à Liberdade Religiosa: Nesta quarta-feira (30/09) e na quinta (01/10), a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) promove, no Rio de Janeiro, o Seminário Nacional sobre Proteção à Liberdade Religiosa. Voltado a religiosos, intelectuais, políticos, educadores, estudantes, pesquisadores e artistas, o evento irá colher subsídios para a elaboração do Plano Nacional de Proteção e Promoção da Liberdade Religiosa no Brasil. Os painéis e debates abordarão temas como o papel do Estado e dos meios de comunicação, os instrumentos jurídicos existentes contra o racismo, a discriminação racial e a intolerância religiosa. O Seminário é uma parceria da SEPPIR com a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e conta com apoio da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e da Rede Globo. Será realizado no Auditório Oscar Guanabarino da ABI (Rua Araújo Porto Alegre, 71). Para mais informações, o telefone da SEPPIR é (61) 3411-3628 / 3635.
Candomblé. A unidade dos níveis da existência. Entrevista especial com Volney José Berkenbrock: “Na concepção do Candomblé, praticamente todas as atividades religiosas têm por finalidade última justamente a busca da harmonia, da unidade entre os dois níveis da existência. Dentro deste contexto, é que ocorre a experiência religiosa central do Candomblé: o momento do transe”, assinala Volney JoséBerkenbrock, professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Religião, na Universidade Federal de Juiz de Fora. Na lógica religiosa do Candomblé, tudo está incluído, mesmo as outras religiões. A partir dessa concepção, todos fazem parte do mundo e interagem “para que aconteça a harmonização entre Orum e Aiyê”, explica. Esta mentalidade inclusiva, menciona, pode ser um bom facilitador para o diálogo inter-religioso.
Na entrevista que segue, concedida, por e-mail, à IHU On-Line, Berkenbrock menciona alguns aspectos históricos das religiões afro-brasileiras e como elas se organizaram no Brasil após chegarem “de carona com a escravidão”. Entre as práticas realizadas, o pesquisador destaca que essa é uma religião “‘contada’ adiante”, repleta de mitos, além de ser inclusiva e dialogal.
Berkenbrock é doutor em Teologia pela Faculdade de Teologia Católica da Universidade Federal de Bonn, na Alemanha, com a tese Die Erfahrung der Orixas. É autor de A experiência dos Orixás (Petrópolis: Vozes, 1998).
Caparot 2: Nas primeiras horas do dia anterior a Yom Kipur, é realizada a cerimônia de Caparot (Expiação). Pegamos uma galinha viva (um galo para os homens e uma galinha para as mulheres) e, circulando-o três vezes acima da nossa cabeça, declaramos: “Esta é minha substituição, esta é minha troca, esta é minha expiação; esta ave vai para a morte, e eu irei para uma vida longa, boa e pacífica.” A ave é então abatida segundo o procedimento haláchico, quando então ponderamos que este é um destino que nós mereceríamos, D’us não o permita, pelas nossas falhas e iniqüidades. O valor da ave é dado aos pobres, e sua carne comida na refeição de Yom Kipur; alguns dão a própria ave aos pobres. (Um costume alternativo é cumprir o ritual com dinheiro, recitando os versículos prescritos e dando o dinheiro para caridade. Caparot pode também ser realizada nos dias anteriores, durante os “Dez Dias de Arrependimento”).
FSP online (27/09/2009): Judeus usam galos e galinhas para expiar pecados às vésperas do Yom Kippur: "Esta é minha mudança, este é meu substituto, esta é minha expiação", murmuram os fiéis judeus, enquanto dão três voltas por cima de suas cabeças com um animal que, minutos depois, é morto como forma de expiar os pecados. No ritual das Kaparot, uma expiação simbólica dos pecados, milhares de galos e galinhas são degolados em Israel para lembrar os judeus que, a qualquer momento, Deus pode tirar a vida como forma de compensação por seus pecados. >>> Leia mais, clique aqui.
Professora Doutora do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ e do Programa de Pós-Graduação em História Comparada (PPGHC) do Departamento de História da UFRJ.